Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora

Moradores de Alfenas denunciam vereadora por falas consideradas racistas Moradores de Alfenas (MG) protocolaram pedidos de abertura de uma comissão ética e de...

Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora
Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora (Foto: Reprodução)

Moradores de Alfenas denunciam vereadora por falas consideradas racistas Moradores de Alfenas (MG) protocolaram pedidos de abertura de uma comissão ética e de uma comissão processante na Câmara Municipal após declarações feitas pela vereadora Maria Hidalina (PL) durante uma manifestação no último domingo, na Praça Getúlio Vargas. A fala da parlamentar foi classificada como de teor racista por instituições e cidadãos da cidade. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Durante o discurso, a vereadora afirmou: “Nós temos um poder na nossa nação, nas nossas mãos, porque o nosso Brasil é um Brasil de cristãos (...). É um Brasil cristão, é um Brasil de 'povo bran...', povo brasileiro, que tem desejo de ser melhor (...).” A assessoria da vereadora declarou que houve um erro de fala e que Maria Hidalina pretendia dizer “povos brasileiros” ou “povo brasileiro”, mas acabou pronunciando “povo ‘bran’”, corrigindo logo em seguida. Disse ainda que “não houve intenção racista” e que o trecho “de fato acontece, mas foi uma falha de conexão na fala”. Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora Reprodução EPTV Instituições e prefeitura repudiam a fala A Prefeitura de Alfenas, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial, divulgou nota de repúdio. O documento afirma que a declaração da vereadora “fere direitos constitucionais da comunidade negra” e desrespeita a laicidade do Estado, prevista na Constituição Federal. A coordenadora da pasta, Camila Leles, afirmou que o vídeo foi analisado e que “havia falas de cunho racista e que feriam a laicidade do país”. “Nós vamos continuar acompanhando o caso. Se houver abertura da comissão, estaremos presentes para dar respaldo e garantir que a lei seja aplicada. As falas prejudicaram muito a comunidade negra. Estamos lutando por justiça e reparo, e tudo tem sido tratado como ‘mimimi’. Só quem passa sabe o que sente", afirmou. O morador Rodrigo Miquelino, que é historiador, entrou com um pedido de abertura de comissão ética por quebra de decoro parlamentar. Ele afirmou que a fala da vereadora ultrapassa o limite da liberdade de expressão: “É inadmissível que uma autoridade eleita faça declarações que violam direitos humanos. Ao dizer que o Brasil é um país de ‘povo branco’ e associar isso a uma identidade religiosa, apaga a história dos povos negros e indígenas.” Câmara Municipal de Alfenas Divulgação / Câmara de Alfenas O COMPIRA (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial), composto por membros da sociedade civil e do poder público, protocolou um pedido de comissão processante. “A fala gera violência simbólica. Trata de não pertencimento de pessoas negras, quilombolas e indígenas. Não buscamos punição, mas educação. Esse tipo de episódio legitima bullying, violência e racismo cotidiano.” O que diz a vereadora Em nota, a vereadora Maria Hidalina declarou que não teve intenção de ofender nenhum grupo. A parlamentar disse estar aberta ao diálogo e reafirmou compromisso com a população. “Quando mencionei aspectos históricos e culturais do nosso país, minha intenção foi fazer referência à formação histórica do Brasil, que recebeu influências diversas, inclusive cristãs, sem negar nossa diversidade. Reconheço que a forma como a fala foi apresentada pode ter causado desconforto ou dor. Lamento sinceramente se feri alguém. Isso não reflete meus valores.” A Câmara Municipal também divulgou nota afirmando que considera o letramento racial e a liberdade religiosa essenciais para promover respeito, igualdade e convivência democrática. A previsão é que a mesa diretora avalie os protocolos na segunda-feira. O caso segue em acompanhamento. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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